Apesar de gostar de igrejas, só vou a celebrações eclesiásticas em casamentos e funerais. Curiosamente, quando vou, convidam-me para ler... Portanto, o senhor padre da minha freguesia pensa (porque assim lhe disseram quando ele sugeriu que me convidassem para ler todas as semanas!) que eu sou de longe e tenho ali (aqui) muita família!
Este fim de semana, voltei às minhas leituras pelo motivo menos bom... chamaram-me à sacristia e lá me explicaram quando deveria subir ao altar e a ordem pela qual deveria ler, perante o olhar do padre que dizia mais ou menos isto "deves cá vir muitas vezes, deves"! Pedi para dar uma vista de olhos pelo texto e aproveitaram os senhores para discutir pormenores do funeral; neste caso concreto, para dizer que a família pediu que não se cantasse durante a celebração. Ora, a pessoa que estava a explicar o pedido foi interrompido por um brilhante "como não cantar?! Isto é uma festa, deveríamos estar a cantar, a dançar, a beber e a festejar! Devemos chorar é quando nascemos, não é verdade, sr. padre?!" Eu, discreta como só eu consigo ser, pousei o livro e olhei de forma veemente para o senhor, tendo o padre respondido "sim, sim... mas temos de entender que a família neste momento não entende isso". (E com isto subiu um pontinho na minha consideração!)
Já na missa, e depois de ter dito à minha mãe que considerava que o dinheirinho que dou ao toxicodependente que não nos larga lá na terrinha como muito mais bem empregue, (a sério, a minha tia até o aluguer da capela teve de pagar, por que raio se pede na igreja?!) dei por mim a dizer num tom demasiado alto, que, só por acaso, coincidiu com um momento de silêncio puro "este homem não é bem acabado!" referindo-me ao padre, por palavrinhas e atitudes que não me pareceram as mais adequadas!
E, uma vez mais, saí de lá e disse à mami "vês por que é que eu não venho à missa?! Só peco ali dentro"...